Metade do crédito ao consumo em Portugal vai para carros, quase sempre usados. As três formas de financiar têm taxas máximas diferentes e letras pequenas diferentes. Aqui estão lado a lado.
Três caminhos, três preços
No 3.º trimestre de 2026, o Banco de Portugal fixa as TAEG máximas assim: crédito automóvel para veículos novos 10,9%, para usados 14,1%; locação financeira ou ALD de novos 5,1% e de usados 6,6%.
O leasing e o ALD são mais baratos porque o carro não é teu até ao fim: o banco ou a locadora fica dono e tu pagas a utilização. No crédito clássico, o carro é teu desde o início, normalmente com reserva de propriedade a favor do banco até liquidares.
O que cada um é, em linguagem de café
- Crédito automóvel clássico: empréstimo com finalidade carro. Tens o carro em teu nome, com reserva de propriedade averbada no registo. Podes vender, mas tens de liquidar antes.
- Leasing (locação financeira): alugas com opção de compra no fim, por um valor residual. Prestações mais baixas, carro em nome da locadora, quilómetros e seguro impostos pelo contrato.
- ALD (aluguer de longa duração): alugas por 2 a 5 anos, entregas no fim ou compras. Muitas vezes inclui manutenção. Bom para quem troca de carro com frequência e mau para quem faz muitos quilómetros.
Um exemplo com contas
- A uma TAEG de 8%, bem negociada: cerca de 304 € por mês, 18 250 € no total.
- A uma TAEG de 14,1%, o máximo legal para usados: cerca de 350 € por mês, 21 000 € no total.
- São 2 750 € de diferença pelo mesmo carro. O financiamento do stand vem embrulhado no preço; pede sempre a TAEG e o MTIC por escrito.
Financiar no stand nem sempre é pior
Os stands têm acordos com financeiras e às vezes conseguem taxas promocionais em carros novos, sobretudo quando a marca subsidia a campanha. Noutras vezes, a «taxa 0%» esconde-se num preço do carro sem desconto, ou num seguro de proteção ao crédito que duplica a prestação.
A regra é simples: pede a proposta do stand com TAEG, MTIC e todos os seguros, e compara com uma proposta de banco para o mesmo montante e prazo. Se o stand ganhar, ótimo. Só saberás se comparares.
Novo ou usado: o que muda no crédito
O crédito para usado é mais caro porque o carro vale menos e desvaloriza mais depressa. Em carros com mais de oito ou dez anos, muitos bancos limitam o prazo ou pedem entrada. Em novos, o prazo pode ir a 7 anos, mas um carro novo perde muito valor nos primeiros dois anos: a prazos longos, podes chegar a meio do contrato a dever mais do que o carro vale.
Checklist antes de assinar
- TAEG e MTIC por escrito, em qualquer dos três caminhos.
- Entrada: quanto maior, menor a taxa e menor o risco de ficar a dever mais do que o carro vale.
- Prazo alinhado com o tempo que vais ficar com o carro.
- Seguros obrigatórios e opcionais discriminados.
- Comissão de reembolso antecipado e condições para vender o carro antes do fim.
- Em leasing e ALD: limite de quilómetros, valor residual e estado de entrega.
Perguntas frequentes
Posso vender um carro com reserva de propriedade?
Só depois de liquidar o crédito e de o banco levantar a reserva no registo automóvel. Na prática, o comprador paga ao banco e o restante a ti.
Compensa dar entrada?
Quase sempre. Reduz o montante financiado, a taxa e o risco de o carro valer menos do que deves. Uma entrada de 20% é uma boa referência.
O Guru trata de crédito automóvel?
Sim, com os bancos parceiros e sem custo para ti. Comparamos com a proposta do stand, se já a tiveres.