O novo crédito à habitação cresceu quase 35% em 2025 e o valor médio bateu recorde. O crédito pessoal também subiu. Boas ou más notícias? Depende do que fizeres com a tua prestação.
Os números do Banco de Portugal
Em 2025 os bancos concederam 23,4 mil milhões de euros em novo crédito à habitação, mais 34,9% do que em 2024. O valor médio de cada crédito subiu para 175 mil euros, o número mais alto de sempre. Cerca de 21% desse novo crédito foi para jovens que usaram a garantia pública.
No crédito ao consumo, o crédito pessoal cresceu na ordem dos 13% em montante face ao ano anterior. Perto de metade do crédito ao consumo de meados de 2025 foi para comprar automóvel, sobretudo usado, com um contrato médio a rondar os 15 mil euros.
Porque é que isto aconteceu
- A Euribor desceu durante boa parte de 2025 e aliviou prestações, o que devolveu folga a muitas famílias.
- A garantia pública e a isenção de IMT para jovens puseram no mercado gente que antes não conseguia juntar a entrada.
- Os preços das casas continuaram a subir, por isso cada crédito é maior.
- Os bancos e as financeiras competiram mais, com aprovações rápidas e produtos por finalidade.
Crédito não é dívida má. Depende do uso
Um crédito para comprar a casa onde vives, com prestação que cabe no orçamento, substitui uma renda e constrói património. Um crédito pessoal para pagar as férias do ano passado é outra conversa.
A pergunta certa nunca é «consigo pagar a prestação?». É «consigo pagar a prestação, continuar a poupar e aguentar um imprevisto?».
A regra de ouro: taxa de esforço
Soma todas as prestações que pagas por mês (casa, carro, cartões) e divide pelo rendimento líquido do agregado. Abaixo de 35% estás confortável. Entre 35% e 45% estás no limite. Acima de 50% a maioria dos bancos nem aprova.
Um casal com 3 000 € líquidos e uma prestação de casa de 980 € está nos 33%. Se juntar um carro a 300 € por mês, passa para 43%. É aqui que muitas famílias se apertam sem dar por isso.
O simulador de taxa de esforço mostra-te a percentagem e diz-te se ainda tens folga para o crédito que estás a pensar pedir.
Três hábitos que protegem quem tem crédito
- Fundo de emergência de três a seis prestações. Não é para investir, é para dormir.
- Rever o crédito de dois em dois anos. Spread, seguros e taxa mudam; o teu contrato de 2021 pode estar caro em 2026.
- Amortizar com cabeça. Com a comissão de 0,5% de volta, amortizações pequenas continuam a compensar quando a taxa do crédito é mais alta do que a remuneração das tuas poupanças.
Perguntas frequentes
O que conta para a taxa de esforço?
Todas as prestações de crédito: habitação, automóvel, pessoal, cartões de crédito com pagamento fracionado. Não contam renda, água ou luz, mas o banco olha para elas na análise.
Devo amortizar o crédito da casa ou poupar?
Se a taxa do crédito for superior ao que consegues com as poupanças sem risco, amortizar rende mais. Mas só depois de teres o fundo de emergência feito.
O valor médio de 175 mil euros é o que devo pedir?
É uma média nacional. O que deves pedir é o que a tua taxa de esforço aguenta com folga, mesmo que a Euribor suba.