Rápido, sem garantias, para quase tudo. É exatamente por isso que merece mais atenção do que costuma ter. Taxas máximas em vigor, um exemplo com contas e a lista do que olhar antes de assinar.
Para que serve, de facto
Crédito pessoal é dinheiro emprestado sem hipoteca nem reserva de propriedade, com prazo normalmente entre 1 e 7 anos. Serve para obras, mobiliário, estudos, saúde, um evento, ou para juntar créditos dispersos numa prestação só.
O que o torna caro é o mesmo que o torna fácil: não há garantia, por isso o banco cobra mais juro. Compará-lo com o crédito à habitação não faz sentido; compará-lo com o cartão de crédito faz todo.
As taxas máximas em vigor
O Banco de Portugal fixa todos os trimestres a TAEG máxima que cada tipo de crédito pode ter. No 3.º trimestre de 2026: crédito pessoal para outras finalidades (lar, obras, consolidado) 15,3%; crédito pessoal para educação, saúde e transição energética 8,9%; cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos 18,5%.
São tetos, não preços. Um crédito bem negociado fica bem abaixo. Mas se te proposerem uma TAEG acima do máximo, é ilegal.
Um exemplo com contas
- A uma TAEG de 8,9% (finalidade educação, saúde ou energia): cerca de 248 € por mês, 11 920 € no total.
- A uma TAEG de 15,3% (o máximo para outras finalidades): cerca de 280 € por mês, 13 430 € no total.
- A diferença ao fim de 4 anos são 1 500 €. É o custo de não comparar ou de escolher a finalidade errada no formulário.
A parte flexível e a armadilha
Prazos mais longos baixam a prestação e sobem o custo total. 20 000 € a 10% custam 425 € por mês a 5 anos e 332 € a 7 anos, mas os 7 anos ficam 2 400 € mais caros. Escolhe o prazo mais curto que o orçamento aguenta sem sufoco.
As armadilhas do costume: seguros de proteção ao crédito que duplicam a prestação, comissões de abertura escondidas, e o «crédito pré-aprovado» que aparece na app a uma taxa que ninguém compararia se tivesse de a procurar.
Consolidar créditos: quando faz sentido
Se tens cartão, carro e um crédito pequeno a taxas entre 12% e 19%, juntar tudo num crédito pessoal a uma taxa mais baixa pode reduzir a prestação mensal e o custo total. Faz sentido quando a nova TAEG é claramente inferior à média ponderada das antigas e o prazo não estica demasiado.
Não faz sentido quando é só para «respirar» este mês e o problema é gastar mais do que se ganha. Aí o crédito não resolve, adia.
Checklist de 6 pontos
- TAEG, não TAN. É o número que inclui comissões e seguros.
- MTIC: quanto pagas no total ao fim do prazo.
- Comissão de abertura e de reembolso antecipado.
- Seguro: é obrigatório? Quanto custa? Podes trazer o teu?
- Finalidade declarada certa: educação, saúde e energia têm teto mais baixo.
- Simulação com o prazo mais curto possível e com a prestação a caber abaixo dos 35% de taxa de esforço.
Perguntas frequentes
Posso pagar o crédito pessoal antes do prazo?
Sim. A comissão de reembolso antecipado no crédito aos consumidores está limitada por lei a 0,5% do capital reembolsado (0,25% se faltar menos de um ano).
O que muda entre crédito pessoal e cartão de crédito?
O cartão é crédito rotativo com TAEG máxima de 18,5%; o crédito pessoal tem prazo e prestação fixos e teto de 15,3%. Para compras grandes que vais pagar em mais de três meses, o crédito pessoal costuma sair mais barato.
O Guru trata de crédito pessoal?
Sim, através dos bancos parceiros. O serviço continua a ser gratuito para ti.